Programar é arte

O tema é recorrente.  Desde o monumental The Art of Computer Programming ao, hmm…, pragmático  The Pragmatic Programmer existe a noção de que programar não é uma ciência exata. Não é produção, tampouco engenharia. Programar é uma atividade que requer criatividade, visão, trabalho e destreza. É arte.

Vem daí a dificuldade de se estabelecer prazos. De gerar metodologias. De ser produtivo, ter qualidade e criar soluções. Como apressar, controlar e gerenciar algo tão pessoal quanto a produção de código? Talvez tornando-o impessoal e automático. Mas não seria isto remover as características que diferenciam um software bom de um ótimo?

Pode-se criar arte em massa. Pode-se criar obra únicas. Pode-se apreciar ou não uma obra-prima. Não é tão diferente no mundo do código fonte. Quem já não vislumbrou, modificando um programa qualquer, uma obra de arte barroca? Cheia de meandros, voltas, incertezas e becos sem saída. Um labirinto a provocar emoções: fúria, alegria,  raiva, medo, alívio (bom, este só quando o código compila e/ou passa nos testes). Estou divergindo…

E quem programa pode ser entendido como um artesão. Alguém que martela teclas para produzir, vez ou outra, um pouco de arte. E podemos encontrar, procurando bastante, entre estes artesãos, um verdadeiro artista.

Why?

É o caso de Why the Luck Stiff, ou simplesmente _why. Seu trabalho mais conhecido é seu livro: Why’s (poignant) Guide to Ruby. Mesmo que você não programe, mesmo que você não entenda nem mesmo HTML, dê uma olhada.  O livro é excelente. Se parece com algo saído de uma viagem  de LSD, misturado com Alice no País das Maravilhas e lições de Ruby. E existe até uma trilha sonora para acompanhá-la!

Mas, onde encontro este livro? O site do why saiu do ar. Assim como muitos outros projetos pertencentes a ele. Até a conta no twitter, @why, sumiu. _why desapareceu. Ninguém sabe ninguém viu.

Where´s why?

É um feito notável para alguém que alcançou certa notoriedade online, e com uma presença forte na internet. Participou de palestras e eventos, mas sempre se identificando por seu pseudônimo.  Ainda existe o anonimato, afinal (há quem diga que _why apenas está dando um tempo e retornará como _because).

Mas dá para apreciar sua obra em alguns mirrors.  E já tratei de guardar a trilha sonora para ouvir enquanto programo. Quem sabe não tenho uma epifania (ou uma síncope, dependendo do código a editar). E tem até tradução para o português, que até onde vi está ótima.

As raposas de _why
So long _why, and thanks for all the chunky bacon.